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Aprendizagem Cooperativa para o estudo coletivo de Libras

Data de publicação: 11 de agosto de 2020. Categoria: Video aulas

A Aprendizagem Cooperativa é uma metodologia de estudo aplicável a todas as áreas de conhecimento. No caso do estudo de Libras, esta metodologia pode ser muito bem aproveitada.

O primeiro vídeo abaixo explica a Metodologia da Aprendizagem Cooperativa, e no segundo a discente Geisiele Sousa, do 2º semestre do Curso de Letras Libras da UFC, faz a tradução do primeiro vídeo.

 

 

 

Transcrição do 1º vídeo

Bom dia a todos! Meu nome é Samuel Pedro e eu sou professor da rede particular de ensino, professor de ensino médio. Além disso, sou estudante de Mestrado desenvolvendo uma dissertação em aprendizagem cooperativa e participo de um grupo de Formação em aprendizagem cooperativa. Esse grupo é constituído professores da rede de ensino da esfera municipal e estadual, bolsistas da UFC em aprendizagem cooperativa e também mestrandos que desenvolvem suas dissertações nesse tema.

Como vocês podem observar na foto temos algumas pessoas que participam desse grupo, e nesse grupo nós temos uma fundamentação teórica, que é ministrada pelo Professor Manoel de Andrade, além da fundamentação teórica nós elaboramos também planos de aula para serem aplicados experimentalmente em escolas do estado e do município, também na própria escola profissional de Pentecoste, que já trabalha com aprendizagem cooperativa, e esses planos obviamente são preparados á partir das técnicas que a aprendizagem cooperativa oferece.

O intuito desse curso é que esses indivíduos que participam possam se tornar futuros multiplicadores da aprendizagem cooperativa no Estado do Ceará. Também temos com o objetivo a produção bibliográfica, visando a publicação de monografias, dissertações e de artigos periódicos científicos. Convido vocês a fazerem uma reflexão: no ensino tradicional pelo qual a maior parte das pessoas foram educadas.

O professor, é a figura central do processo de aprendizagem sendo considerado o detentor do conhecimento, e o aluno, é como uma folha em branco para o qual o professor transfere o conhecimento. (como fica evidenciado na figura 1). O ensino tradicional acaba por privilegiar exclusivamente os alunos com maior capacidade de acúmulo de conteúdos. (igual á figura 1).
Como o aluno é um mero receptor do conhecimento e de informações, (conforme a figura 2), o professor parece um pendrive. O resultado da aprendizagem são indivíduos com baixa afetividade e pouca autonomia. Tendo em vista que o foco da efetividade criada é baseado na competição, ou seja, o aluno deve esforçar-se individualmente a superar as dificuldades encontradas no processo de construção do seu conhecimento. Devido às limitações enfrentadas pelo método tradicional.
Diversas pesquisas foram e estão sendo realizadas, com o intuito de desenvolver métodos de aprendizagem com maior grau de eficiência. Dentro desse contexto, os irmãos Johnson, sistematizaram uma metodologia de ensino no estudo de grupos cooperativos nos grupos tradicionais (como ilustra a figura 3), o material entregue aos alunos e esses devem realizar a tarefa. Geralmente é o que ocorre, como podemos observar nessa figura, é que uma parte do grupo realiza a tarefa, enquanto os demais componentes conversam sobre outros assuntos que não são pertinentes ao trabalho em grupo.
O que diferencia os grupos cooperativos e os grupos tradicionais é que nesses grupos cooperativos, existe uma interdependência entre os indivíduos que devem interagir para alcançar uma determinada meta coletiva, o que não deve ser punitiva e sim bonificativa. Diversas pesquisas publicadas na literatura recente, demonstram que os estudos em grupos cooperativos estimulam a formação de estudantes mais autônomos, afetuosos, com elevada autoestima e protagonistas da construção do seu próprio conhecimento. Porém, para criar um ambiente de cooperação, são necessários que estejam presentes no plano de aula ou/e outro instrumento pedagógico os cinco elementos da aprendizagem cooperativa:
O primeiro elemento, e que eu gostaria de dar ênfase, a interdependência positiva, então dentro do trabalho grupal o aluno de um mesmo grupo depende do trabalho do outro desse grupo. De maneira que todos eles estão um dependendo da informação do outro para que na totalidade aprenda o determinado objetivo.

Além da interdependência positiva, o ensino com aprendizagem cooperativa da ênfase com as habilidades sociais. O que são habilidades sociais? É saber ouvir, saber falar, compartilhar ideias, criticar ideias e não pessoas, pois eles necessitaram dessas habilidades sociais para superar os conflitos que surgiram dentro de um processo grupal. A partir do ensino de habilidades sociais combinado com interdependência positiva os próprios estudantes estimularam o outro na elaboração das tarefas, tendo em vista que o critério de sucesso é uma meta coletiva que favorece o terceiro elemento da aprendizagem cooperativa.

Para que tudo isso funcione é necessário haver a interação promotora, o aluno precisa desenvolver responsabilidade individual, que é um estímulo ao estudo pelo seu próprio conteúdo específico e pelo conteúdo que o seu colega irá repassar para o mesmo. Ao final da tarefa deve ser realizado o processamento de grupo, que visa verificar quais as habilidades sociais foram desenvolvidas. É importante salientar e deixar bem claro que para que um plano de aula, ou como eu disse anteriormente um instrumento pedagógico, seja de aprendizagem Cooperativa é preciso que todos os cinco elementos estejam contidos dentro desse material.
O objetivo da oficina é demonstrar elaboração e aplicação de um plano de aula para o ensino de química em escolas públicas do ensino médio utilizando uma técnica de aprendizagem cooperativa denominada jig Saw.
Após a explanação, queremos abrir para um momento de dúvida de vocês.

Então o plano de aula laboral é sobre o tema: “introdução e estudo de soluções”, que é um assunto segundo ano do ensino médio, e a técnica do Jig saw consiste em: pegar um determinado assunto tal como esse e fragmentá-los através de tópicos, para cada tópico preparado o professor deve produzir material didático a ser utilizado pelo aluno, sabendo que esse material didático precisa ser compreendido isoladamente e estejam todos os temas fragmentados interdependentes um do outro. Então, os alunos se agrupam inicialmente denominados grupos e bases, onde nesse grupo cada um vai receber um desses tópicos para fazer uma leitura individual e em seguida passar para o outro grupo com alunos contendo mesmo tema que ele pegou, que é o grupo de peritos, aonde irão aprofundar a discussão e após essa discussão retornaram ao seu grupo de base para explicar o que foi discutido no seu grupo de peritos, e também para ouvir o que os demais colegas peritos nos outros sub tópicos. Como vocês podem observar, existem dois tipos de objetivo. O objetivo cognitivo que é sobre apreensão dos conteúdos a serem demonstrados e também temos, o objetivo de natureza interpessoal que visa estimular o desenvolvimento das habilidades sociais que foram mencionadas anteriormente. Preciso que o professor deixe claro para o aluno esses objetivos.

Após as explicações objetivas, o professor irá fazer uma breve introdução acerca dos assuntos a serem abordados, essa introdução é uma mini aula, ou seja, uma exposição visando uma noção geral acerca do assunto e também possa possibilitar o estímulo do interesse do aluno para aprender esse conteúdo. Após essa introdução realizada pelo professor, devem ser formados os chamados grupos de “bases”. Os grupos de bases devem ser heterogêneos para que os indivíduos não trabalhem apenas com aquelas pessoas que eles têm mais afinidade, na famosa panelinha, e também é importante e é ideal que o número de componentes de cada grupo base seja exatamente igual ao número de tópicos que foram fragmentados do tema a ser tratado.
Preciso que esses grupos de base se formem rapidamente sem perder tempo. Podem ser utilizados como os dois artifícios principais: distribuição de cartões com cores e letras ou números, aonde os indivíduos que obtiveram a mesma letra ou a mesma cor se reúnam nesses grupos, ou então simplesmente desenhando uma matriz aonde em cima você vai ter o grupo (quem vai participar) e ao lado o tema que o indivíduo irá ter que estudar isoladamente nesse grupo formado. O grupo de base precisa se estabelecer então o critério de sucesso da atividade, esse critério nada mais é do que estabelecer uma meta coletiva, e essa meta coletiva não deve ser punitiva para que estimule a interação dos componentes. Na verdade, o critério de sucesso ou essa meta coletiva corresponde a um determinado percentual de acertos, 60% á 70%, que todos os componentes do grupo base devem atingir em uma avaliação individual, que será aplicada ao término do processo e que explicarei depois.

Após estabelecer o critério de sucesso devemos pactuar um contrato de convivência. O contrato de convivência é um acordo necessário ao desenvolvimento das habilidades sociais, necessárias para atingir o critério de sucesso ou meta coletiva e produzir um ambiente de cooperação. Além do contrato de convivência devem ser constituídas questões tais como: não utilizar o telefone, não sai da sala, não se dispersar durante a execução da atividade, ouvir atentamente o colega e outras habilidades sociais que próprios alunos ao longo do processo irão descobrir que são necessárias para cumprir contrato de convivência.

Devem ser atribuídos os papéis coordenadores, relator, controlador do tempo e guardião do silêncio. Para que se ganhe mais tempo pode dar esses papéis ao número e a cor que o indivíduo recebeu ao ser constituído do grupo base.

Importante o estabelecimento do critério de sucesso e do contrato de convivência, porquê eles possibilitam a interdependência de papéis e de função e também de materiais. Em seguida, os grupos de bases já formados, o monitor de materiais irá distribuir o material didático preparado pelo professor para cada componente do seu grupo base de maneira que, em cada grupo base todos os temas estejam contidos. O aluno deve realizar uma breve leitura do material grafando o que compreendeu e o que não compreendeu, por que posteriormente esse aluno vai ter que compartilhar com grupo base o tema específico que ele está estudando, porém, antes ele fazer esse compartilhamento ele irá participar de outro grupo, denominados grupos de peritos.
Nos grupos de peritos os estudantes do grupo bases diferentes que pegaram mesmo tema, irão se reunir nesses grupos, de modo a aprofundar-se no assunto, interagir com maior número de alunos e também eles têm como meta e objetivo formular uma explicação que deve ser repassada quando os mesmos retornar em um grupo de base. Isso acaba por gerar responsabilidade individual proporcionando a interdependência positiva que gera a interação promotora. O retorno ao grupo de base, os temas devem ser abordados obedecendo a uma sequência numérica: 1, 2, 3 e 4, porque elas têm uma sequência lógica para que fique mais fácil a compreensão de uma maneira global de todos os tópicos e o aluno vai ter que, tanto explicar sua parte, como está atento para que ele possa compreender o que os seus colegas vão explicar.

Após as devidas discussões dos grupos de base, o professor deve realizar uma conclusão, ou seja, um fechamento dessa aula buscando dar uma visão mais abrangente e também de corrigir possíveis equívocos que possam ter sido repassadas dentro do grupo base, na verdade, esse fechamento é para que as dúvidas mais frequentes dentro dos assuntos sejam esclarecidas aos estudantes.

Após realizados todos esse processo, o professor deverá aplicar uma avaliação individual, como já foi dito não deve ter caráter punitivo mais bonificativo, avaliação e não prova. Não se busca aqui nesse instrumento atribuir uma nota e sim verificar como se deu o processo de cooperação, então essa avaliação deve conter questões que engloba em todos os quatro tópicos abordados, exatamente para que a interdependência positiva seja levada ao extremo, de maneira que o aluno tem que responder questões referentes aquele tema específico que ele estudou como também os tópicos que foram explicados pelos seus amigos. (Como vocês podem ver na imagem o exemplo de uma questão desse tipo).
Após os testes individuais, devem realizar o processamento de grupo, no processamento de grupo. (A imagem tem um exemplo). Objetivo do processamento é verificar o cumprimento do contrato de convivência, ou seja, se as habilidades sociais necessárias para alcançar o critério de sucesso. Elas foram desenvolvidas, na verdade, para se criar um hábito de se auto avaliar e de aprimorar o trabalho em equipe, o que se deve ser mantido e o que deve ser mudado.
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